Um espaço para discutir, questionar e refletir sobre a Psicologia Social e, de certa forma, sobre a vida.
sábado, 11 de junho de 2011
Diretório Central de Estudantes da PUCRS
Até um tempo atrás, admito, não sabia de nada do que estava acontecendo no DCE, até porque tenho 18 anos e a confusão dessa gestão começou 5 anos antes de eu ter nascido. Foi apenas há alguns dias atrás que fui me inteirar do assunto. A primeira coisa que vi foi um post no facebook: “Protesto contra o DCE” dizia. Eu, seguindo o que o nosso governo incentiva, nunca fui muito fã de política e de entender como funciona a gestão dos lugares, e nem sabendo direito do que se tratava o DCE, não dei atenção.
Uns dias depois passei pela frente do DCE e vi uma multidão lá, gritando palavras que eu não conseguia distinguir e pensei “Depois passo aqui de novo e descubro o que tá acontecendo”. E, como prometido, apareci lá depois e automaticamente me juntei ao grupo, uma amiga minha que está na PUCRS há bem mais tempo me contou o que estava acontecendo, que o DCE há 23 anos possui a mesma gestão, que não há a menor transparência em onde o nosso dinheiro é investido, que as eleições não são justas e que alguns alunos de vez em quando são agredidos por tentar descobrir o que está acontecendo lá dentro e por ir contra isso. No início eu não sabia se acreditava muito em tudo aquilo, mas conforme fui vendo que essas acusações possuíam provas, foi questão de minutos até eu estar também indignado.
No dia seguinte me juntei à movimentação e vi manifestantes com o mega-fone contarem coisas absurdas, mas que não me impressionaram depois de tanto que eu já tinha ouvido, mostraram uma impressão de uma foto que tiraram no facebook de membros do DCE que disseram que “eles [os estudantes] saem de lá por bem (justiça) ou por mal (porrada) hehe”, entre outras coisas que o DCE fez durante esses anos. (Posteriormente, na internet, divulgaram o relatório da assembleia geral realizada sobre o movimento que ocorreu em 2004, pelo mesmo motivo. Lá são expostas várias atitudes que eu não aprovo do DCE. Botarei o link no fim do post).
O pessoal, então, saiu caminhando pela PUCRS e incentivando as pessoas que assistiam o manifesto a participar, percebi que muitas pessoas viam o acontecido e após um tempo de reflexão, tentando entender o que o grupo trazia, se juntavam a nós. De um grupo de umas 30 pessoas no início dos manifestos, tínhamos, segundo relatos dos próprios alunos que participavam, por volta de 400 estudantes lá, ouvindo e também sendo tocados por aquele assunto.
O que criou uma multidão tão grande é o mesmo que fez com que eu me unisse ao movimento: alteridade. Ver o que estava acontecendo, se entender dentro daquela realidade e ser tocado pelo movimento, que, na minha opinião, foi muito bonito. Eu espero que o movimento chegue a seu objetivo final: eleições justas para o DCE e uma gestão que beneficie os estudantes, e mesmo que não chegue, esses são dias que com certeza ficarão marcados na minha vida e na de muita gente que decidiu ver do que se tratava e foi automaticamente tomado por esse sentimento de “alguma coisa tem que ser feita”.
Link para o Relatório Final da Assembléia Legislativa(leiam, vale a pena):
http://www.al.rs.gov.br/download/SubDCE_PUCRS/Relatorio_Subcomissao_PUCRS.pdf
(EDITADO)
Nessa segunda-feira(12), durante uma suposta eleição realizada pelo DCE, quatro membros do DCE foram presos por agredir quatro alunos da PUCRS, entre elas uma menina que pediu esclarecimentos quanto à origem das chapas, e quando não os teve, segurou a urna com a intenção de impedir tal eleição fraudulenta. Um dos integrantes do DCE apagou as luzes, atirou-a no chão e começou a agredí-la física, verbal e sexualmente. Não seria a primeira vez que o DCE registra chapas com nomes como "Liberdade" e "Renovação" para enganar os alunos.
Leia a notícia: http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5185317-EI5030,00-Eleicao+no+DCE+da+PUCRS+termina+em+pancadaria+e+detidos.html
Veja o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=ETjOIS5ldkc
Para saber mais, acesse: http://movimento89dejunho.wordpress.com/ < Site oficial do movimento estudantil
Não esqueçam de comentar!!
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Morte de Osama Bin Laden
Para ver a notícia, acesse: http://glo.bo/kWGjK0
Osama Bin Laden certamente causou muito sofrimento a milhares de norte-americanos, e sua morte caiu na boca do mundo todo. Segundos após o acontecido, graças à tecnologia, já começavam a circular comentários pelo mundo todo, sentimentos de felicidade, alívio, e justiça passavam pela cabeça de grande parte do Brasil. Mas por que no Brasil?
Grande parte dos brasileiros que se sentiram aliviados por sua morte não corria perigo algum, e grande parte dos brasileiros que sentiam que justiça tinha sido feita não foi prejudicada de uma forma real por esse homem, mas por que então tanta comoção?
Alteridade é a resposta, nos vemos na pele dos 3.000 norte-americanos que morreram nos ataques às torres gêmeas, e nos vemos na pele dos familiares desses norte-americanos, que sofreram tanto com sua perda. Quando em 2001 passou o ataque na televisão todos ficamos muito chocados, algo que para muitos não tinha precedentes estava acontecendo, e a prova de que isso nos afetou tanto é que podemos nos lembrar com facilidade daquele dia fatídico.
A questão que levanto nesse post é que muitos comemoraram tal morte, muitas pessoas que simplesmente nunca correram perigo algum nas mãos desse homem comemoravam o dia em que ele, seu filho, dois mensageiros e uma mulher morreram em uma invasão a sua casa. É claro que como em todos os casos, há exceções, muitas pessoas se recusaram a comemorar a morte de um ser humano, e quero deixar claro que não defendo aqui nenhum dos lados como sendo certo. Eu pessoalmente no dia não comemorei a sua morte, mas também não lamentei, eu acredito que uma pessoa no momento em que tira a vida de tantas pessoas, abdica ao seu direito de ser humano, mas acredito também que não é o caso de comemorar, eu preferia não ter que comemorar isso.
Entretanto, para nos gerar alteridade não é necessário um acontecimento de tal magnitude. Quando vemos que um criminoso foi morto durante um assalto, alguns de nós ficamos felizes, outros indignados, e isso é nosso processo de alteridade.
Gostaria que os leitores comentassem sobre alguma situação que recordam em que isso aconteceu, e qual foi sua posição. Ou também que comentem sobre a morte de Bin Laden, como se sentiram e no que pensaram.
Por fim, quero lembrar que não existe alteridade certa ou errada, no momento em que somos tocados por algo e isso muda alguma coisa na gente, a opinião que criamos é nossa e deve ser respeitada, assim como devemos respeitar a dos outros.